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Os bastidores pet de Campo Grande

Reportagem: Theoangelo Cruz

Existem direitos básicos para um ser humano, coisas que órgãos governamentais e legislações se propõe à cumprir e fornecer. Saúde, moradia, alimentação, tudo isso deveria ser garantido à todos, e é claro que para os animaizinhos isso não deveria ser diferente. Os nossos pets também são protegidos por lei e assistidos por instituições e até mesmo por leis, a fim de garantir que os amigos de quatro patas também possam desfrutar de uma boa vida ao nosso lado.

Carla Patrícia Gomes da Silva Marques, é protetora independente há mais de 22 anos, e afirma fazer por amor aos animais. "A gente vê um bichinho na rua abandonado, os outros jogam, ou alguém deixa numa rodoviária, num ponto de ônibus, e a gente acaba acolhendo". Carla conta que por vezes ela acaba resgatando animais e não conseguindo doar, principalmente quando o animal se torna adulto.

Carla começou quando criança, pegando animais da rua e trazendo para sua casa, mas seus pais não eram a favor do hábito, então os animais sumiam depois de alguns dias. Agora que tem sua própria casa e um emprego, ela decidiu continuar resgatando animais, mesmo com sua casa cheia deles. A protetora conta que às vezes cria amor demais pelos animais resgatados, e acaba optando por não doar, acumulando vários deles como de estimação.

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Protetora Carla Patrícia Gomes da Silva, que já resgatava animais antes de se cadastrar como protetora na Subea. Foto: Ana Carla Pimenta

O principal desafio que Carla enfrenta hoje, é a falta de um auxílio maior pela parte governamental, que se dá pela Superintendência do Bem-estar Animal, a Subea, mas que demonstra ser insuficiente para a demanda dos protetores. “Você acaba tendo que tirar do seu bolso, internar por conta própria, dever clínica, ou abandonar o animal, que a gente não vai fazer“, explica Carla. Ela fala ainda sobre a falta de um hospital veterinário público, já que precisa chegar muito cedo na Subea para conseguir uma vaga para o hospital veterinário da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, UFMS.

Os protetores cadastrados têm direito à seis castrações a cada quinze dias, que eles podem usar para castrar seus animais, ou também para que outras pessoas, mesmo não protetoras, tenham a chance de castrar seus animais por meio dessas vagas. Carla fala também sobre o fornecimento de ração por parte da Subea, que na verdade ocorre por meio de um sorteio em que apenas dois dos 200 protetores cadastrados levam 50 quilos de ração. De acordo com a protetora, além de ser um sorteio insuficiente para a demanda geral, em 2026 fizeram três meses que não aconteceu, e que no ano anterior, a prefeitura cortou não só a doação de ração, mas também as castrações a partir do mês de agosto de 2025.

Já os atendimentos médicos dos animais levados na Subea, Carla comenta que é necessário chegar cedo, pois você acaba competindo por uma vaga no hospital.

“Eu tenho que chegar lá quatro horas da manhã para eu tentar ser a primeira, porque senão o meu animal não vai conseguir, e se chega uma pessoa que é aposentada, que só tem um salário mínimo, com um bicho que está pior que o meu, eu deixo a vaga para ela”

Por conta dessas dificuldades com vagas, Carla conta que já chegou a ver animais morrerem na porta da Subea. Apesar disso, com 30 animais em casa, Carla comenta que já enfrentou problemas com relação aos vizinhos, mas que pretende continuar o trabalho de cuidado e resgate dos animais.

Outra protetora de animais é Keli Roberta Ávila Cruz, apaixonada por animais desde sempre, ela começou a resgatar animais que encontrava em sofrimento pelas ruas ou em ninhadas. Com 26 cachorros e 7 gatos, ela conta que o maior desafio ainda é colocar os animais para adoção ao invés de pegar para criar, já que por falta de ajuda do governo, ela tem que arcar com todos os custos do próprio bolso.

Keli conta que mesmo tendo tido problemas com vizinhos, criou um espaço específico para os cães e conseguiu manter seus animais em casa.

“Tem o desafio com os vizinhos, vez ou outra, a gente já recebeu denúncia, o CCZ já veio aqui, eu tive que abrir canil e realizar vários protocolos, mas aí eles viram que os cachorros estavam bem tratados”.

Fazendo uso dos serviços da Subea, ela conseguiu vacinação, castração e microchipagem para os bichos. Ela conta que apesar de cadastrada como protetora independente, recebeu 50 kg de ração apenas uma vez, sendo que ela gasta mais de 125 kg de ração por mês só para os cachorros.

Os gastos são maiores nos meses de julho e dezembro, Keli explica que são os meses de vacinação e de dar o remédio de carrapato, e que já chegou a ter de fazer rifa para lidar com o protocolo de leishmaniose. A protetora também ajuda a comunidade, usando suas vagas de quarta-feira, que são destinadas aos protetores na Subea, para levar os animais de outras pessoas para castrar, fazendo isso uma vez ao mês.

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A protetora Keli Roberta Ávila Cruz resgatou nhonho e chiquinha recentemente, e já tem realizado todos os cuidados com os animais. Foto: Theoangelo Cruz

A Lei e a instituição